GP da Espanha: Análise e preview técnico

O hiato na última semana foi uma forma para as equipes solidificarem várias mudanças em seus carros para o início da  fase Europeia, que começa em Montmeló, circuito já conhecido por todos os pilotos desde a pré-temporada, que foi o primeiro passo do trabalhado apresentado em Melbourne. Pelo que parece, o favoritismo da Red Bull tenha diminuído um pouco –  Mesmo tendo sido Webber o vencedor aqui em 2010. 

Claro que tudo, em certo ponto, é relativo, e quem pode provar isso em uma experiência vivida no ano passado no próprio GP Espanhol, quando Hamilton, que era segundo restando uma volta para o final da corrida, foi traído por um problema na roda do seu McLaren e teve que abandonar.

  • Análise prévia

Em tese o domínio da Red Bull, (leia-se Vettel), é praticamente certo por todos. Seb marcou todas as Pole Positions possíveis até aqui (4), e venceu 3 corridas no total, perdendo apenas uma para Hamilton por uma estratégia errônea no GP da China. Nesse ponto do campeonato, que relativamente é o começo, o mais lógico é a apostar em Vettel e Red Bull. Pois fora algum evento anormal, ele será o vencedor.

Mas o interessante virá quando já não seja fora do comum que alguém vença os touros: Algo que pode estar próximo a cada prova. Se a McLaren caiu na Turquia, a Ferrari subiu discretamente. Com os câmbios previstos em breve, aperfeiçoados já nesta corrida, poderá ser possível uma luta pela Pole mais intensa, ou corridas mais emocionantes, já que em Istambul a emoção se moveu do segundo lugar para trás.

Dando uma olhada nos tempos do ano passado, vemos um grid bastante similar ao atual: Red Bull na frente, com McLaren e Ferrari um pouco atrás e, um pouco mais abaixo, Renault e Mercedes.

Para a surpresa geral, foi Webber quem marcou o melhor tempo do Q3 em Montmeló ano passado – 1:19.995 (o único a baixar da cada dos 1’20) contra 1:20.101 de Vettel, colado no segundo lugar. Diferença muito pequena na verdade, como costumou ser predominantemente na temporada anterior entre Mark e Sebastian.

Mas esta aumenta para o 3º colocado: Hamilton classificou em terceiro com 1:20.829, seguido por Alonso com 1:20.937 e Button 1:20.991 (ambos bastante próximos). Em suma, o RB6 foi sete décimos mais veloz que os rivais mais perigosos.

Claro que há chances que esse quadro mude para este sábado. Rosberg foi aproximadamente meio décimo mais lento do que o Pole, Vettel, na Turquia. Foi a surpresa do Qualifying turco, superando Hamilton e Alonso por uma margem curta.

  • Técnica

O que nos leva a poder ter uma ideia de se alguém será páreo para a Red Bull é analisar o circuito. A princípio, Montmeló exige uma boa estabilidade aerodinâmica para enfrentar o mix de retas longas com curvas de baixa, e alta velocidade, especialmente a 3. “A última parte do circuito é de muita baixa velocidade, o que pode nos complicar. Sempre foi difícil ultrapassar aqui, mas a asa traseira móvel melhorará esse aspecto”, diz Kobayashi.

Apesar de ter em um só traçado um bom pacote atrativo para um carro de F1, ultrapassar costuma ser difícil. Talvez com a ATM e o maior desgaste dos compostos em comparação aos Bridgestone possa fazer com que a luta por posições seja um dos pontos altos da prova. Porém, existe um detalhe importante quanto aos pneus: “Estamos introduzindo uma nova evolução no pneu duro para Barcelona”, explica a Pirelli, “que deve proporcionar às equipes uma durabilidade extra nesse quesito”.

No geral, o asfalto de Montmeló é bastante duro com os pneus. “Os compostos sofrem muito, e é necessário avaliar a degradação da borracha na sexta, para realizar a preparação para a corrida”, assinala o diretor técnico da Sauber, James Key. Ao mesmo tempo, é muito exigente com o chassis, motor e, como já foi dito antes, ter um carro equilibrado para o GP Espanhol é essencial.

Esse “equilíbrio” se traduz no sentido de que o carro precisa estar no seu melhor estado para passar pela longa reta de 1.047 metros, requerendo boa potência e muita carga aerodinâmica, também útil para ter rapidez ao fazer as tomadas das curvas de alta velocidade. Por isso mesmo, outro ponto chave é o motor.

“Como regra geral, o circuito catalão não é tão exigente com os motores”, ressalta a Cosworth contradizendo o dito acima, “mas estes estão sometidos a um forte trabalho ao longo da volta. Em 62% desta, o carro está a toda velocidade, sendo preciso potência considerável para encarar as retas no traçado”. A princípio, o motor também será importante para “recuperar-se” na saída das curvas lentas.

Na questão das curvas, a 1 é a preferida dos pilotos para ultrapassar sem maiores problemas. Depois dela, a cinco e a dez, se a saída da 9 for efetiva, também podem apresentar chances de ultrapassagem. A nove que entra no gosto de Trulli: “É uma das mais rápidas da temporada e se necessita uma porcentagem adicional de fiabilidade e equilíbrio nela”, opina Jarno.

Além destas, a curva 3, a preferida de Maldonado que a descreve como ampla e rápida, e a dois, tida por Hamilton como complicada e um desafio a parte para o piloto, prometem ser interessantes ao longo do fim de semana. As retas, obviamente, serão outra oportunidade com a ATM.

Montmeló é tido por pilotos e chefes de equipe como um dos mais difíceis do calendário, já que mistura praticamente todas as variedades de curvas que um circuito pode ter. A equipe que estiver melhor preparada na parte aerodinâmica e conseguir um equilíbrio perfeito terá sucesso. Não por coincidência, quem se destaca nessa área é a Red Bull.

Outro fator que precisa ser levado em conta é o clima. Não necessariamente pela chuva, já que há apenas um 25% de chances de ela aparecer no domingo, mas sim pelo vento e temperatura:

“Montmeló é muito exigente com os F1 – analisa o diretor da McLaren, Martin Whitmarsh – “tanto desde a perspectiva do desgaste dos pneus como também pelas mudanças atmosféricas. O vento é um assunto particular da região, e pode afetar a eficiência aerodinâmica da carro” – Justamente um dos pontos mais importantes em Barcelona, como diz Sam Michael, da Williams.

Como os testes pré-temporada feitos na Espanha foram no inverno europeu, as temperaturas hoje em dia estão mais altas. Logo, isso muda o ponto dos compostos, como explica Key: “No inverno fizemos testes aqui em duas oportunidades, mas agora as temperaturas são mais altas, e se necessita avaliar novamente o trabalhado em cima dos pneus.”

  • FIA proíbe o difusor “soprado”

A notícia é recente e fresca: A FIA acabou de proibir o uso do difusor “soprado”, que usa os gases que saem do escapamento para ganhos aerodinâmicos.

Isso significa algo terrível para a Red Bull, justamente a equipe que mais desenvolveu o sistema neste ano. A FIA diz que os carros que usavam esses sistema ganhavam pressão aerodinâmica mesmo quando o acelerador não era usado. O que vai contra o artigo 3.15 do regulamento técnico, que proíbe dispositivos móveis.

Horner já opinou sobre o assunto: “Haverá consequências sobre todos os times que estão utilizando isso. Acho que 90% do grid está utilizando os difusores com fluxo de ar constante. Isso não começou este ano, mas no ano passado. Em Barcelona veremos as conseqüências”.

Agora, não podendo ter este ganho sem pressionar o acelerador (apenas 10%, cerca de 80% a menos do que usado antes), uma perda de rendimento pode se representar para o RB7, uma vez que essa era a principal vantagem da Red Bull na classificação.

Obviamente que equipes como Ferrari e McLaren, que copiaram o sistema, também deverão perder com a decisão da FIA, mas sem dúvida a mais afetada deverá ser a própria Red Bull, quem mais se empenhou no desenvolvimento dessa área.

“A regra irá afetar todos os times e ela vem para fazer com que a gente não escute mais ninguém falando sobre isso” – comenta Ross Brawn. “Os times estiveram desenvolvendo o mapeamento dos motores para conseguir a maior vantagem no fluxo saindo dos difusores.

Agora, a FIA quer nos empurrar para uma direção diferente e acontecerão muitas mudanças. Eu não tenho nenhuma ideia sobre o que acontecerá, mas isso irá fazer com que todos os times mudem sua perspectiva sobre como estão desenvolvendo os motores.”

  • Conclusão prévia

Mesmo com McLaren e Ferrari trazendo mudanças, a Red Bull (que obviamente deverá implantar as suas) deverá continuar na frente. O circuito encaixa muito bem para um carro como o RB7, principalmente no terceiro setor, mais travado e com curvas mais lentas, exigindo equilíbrio, tração, bons freios, ótimo funcionamento da caixa de câmbios e o menor desgaste de pneus possível, algo que Vettel já se tornou mestre até aqui.

É por isso que a Pole será sim importante, assim como a largada. Quem correr de cara ao vento não precisará disputar nenhuma posição nem gastar borracha em duelos com outros carros, o que representa uma ótima vantagem. Vettel marcou todas as Pole Positions no ano e na Turquia a Red Bull teve, com ele, os pit stops mais rápidos.

Apesar de acreditar que ainda Vettel seja dominante no sábado, este decisão-relâmpago da FIA pode pesar em contra da Red Bull no Qualifying. Vettel terá a vantagem confortável comum apresentada nas 4 corridas anteriores?

Realmente, é difícil saber, mas uma mudança ocorrerá. Já vocês, o que opinam dessa decisão? A sessão de comentários está logo abaixo para debater isso, além do aspecto técnico apresentado neste post e quem estará na frente no sábado e domingo.

11 pensamentos sobre “GP da Espanha: Análise e preview técnico

  1. Esse campeonato ta é sem graça…já se sabe o campeão….é um saco quando aparece um carro assim como o RB7…assim como foi o F2004 e outros…..uma pena

    • E olha que foi só um “preview”… rs…
      Imagina quando vier o texto sobre a corrida!
      Acho que Thomas está tomando muito RedBull😉

      Belo texto, meu jovem…

      • Obrigado amigos, a ideia é ter o blog cada vez mais informativo, me recuperando das últimas semanas sem muito tempo para postar. Obrigado😉

  2. Texto atualizado com a notícia do momento:

    FIA proíbe o difusor “soprado”

    A notícia é recente e fresca: A FIA acabou de proibir o uso do difusor “soprado”, que usa os gases que saem do escapamento para ganhos aerodinâmicos.

    Isso significa algo terrível para a Red Bull, justamente a equipe que mais desenvolveu o sistema neste ano. A FIA diz que os carros que usavam esses sistema ganhavam pressão aerodinâmica mesmo quando o acelerador não era usado. O que vai contra o artigo 3.15 do regulamento técnico, que proíbe dispositivos móveis.

    Agora, não podendo ter este ganho sem pressionar o acelerador (apenas 10%, cerca de 80% a menos do que usado antes), uma perda de rendimento pode se representar para o RB7, uma vez que essa era a principal vantagem da Red Bull na classificação. Obviamente que equipes como Ferrari e McLaren, que copiaram o sistema, também deverão perder com a decisão da FIA, mas sem dúvida a mais afetada deverá ser a própria Red Bull, quem mais se empenhou no desenvolvimento dessa área.

    • Isso é bom pra competitividade da prova, não muito bom pro pessoal que torçe pela Red Bull, mas…. Vou botar o Vettel em 1º no bolão do mesmo jeito. kkk

      • Então, vamos repensar nossas apostas, afinal, o propulsor da Mercedes, deve passar a ser mais fundamental no desempenho dos carros, ou estou enganado? Quem sabe, até as Ferraris podem ter um desempenho mais proximo das RBR., afinal, em corrida tem sido um carro bastante confiavel.

  3. Pingback: Novo pneu duro promete deixar corrida mais interessante « Blog Fórmula 1

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